Painel mostrou um André Agassi, hoje com 56 anos, distante apenas da imagem de um multicampeão
Um dos maiores nomes da história do tênis mundial, André Agassi levou à Expert XP muitas experiências e lembranças das quadras, que refletem muito do que vive hoje, aposentado do esporte. Durante o painel “Reinventar-se para vencer”, realizado nesta quinta-feira (23), em São Paulo, o ex-tenista falou sobre liderança, propósito, aposentadoria, legado e educação, além de deixar uma mensagem especial para o brasileiro João Fonseca, considerado um dos principais talentos da nova geração do esporte. Entre histórias da carreira e reflexões sobre a vida, Agassi também relembrou a criação da fundação que já construiu mais de 130 escolas em comunidades carentes dos Estados Unidos.
A 17ª edição da Expert XP reúne, até domingo (26), no São Paulo Expo, grandes nomes internacionais, líderes empresariais, autoridades, investidores e especialistas para discutir os rumos da economia e da sociedade. Além de Agassi, participam do evento nomes como Niall Ferguson, Mike Pompeo, Janet Yellen, João Fonseca, Caio Amato e Will Smith. Único veículo convidado da Paraíba, o Sistema Correio acompanha durante os três dias.
Conduzido pelo CEO do Banco XP, José Berenguer, o painel mostrou um André Agassi distante apenas da imagem de um multicampeão. Aos 56 anos, ele falou sobre a vida após o esporte, contou que hoje gosta de praticar snowboard, passar tempo com os filhos e com os cachorros e revelou que acompanhou ferrenhamente a última Copa do Mundo, citando o jogo entre Argentina e Egito, nas oitavas de final, como o grande jogo dessa edição.
Já ambientado ao bate-papo, Agassi arrancou umas das maiores reflexões da conversa ao falar sobre João Fonseca. O brasileiro, de apenas 19 anos, vive uma ascensão meteórica no circuito mundial. Campeão juvenil do US Open em 2023 e ex-número 1 do ranking mundial juvenil, Fonseca conquistou o Next Gen ATP Finals em 2024 e, no ano seguinte, venceu seu primeiro torneio da ATP, entrou no Top 100 em tempo recorde e alcançou o 24º lugar do ranking mundial. Em 2026, confirmou seu crescimento ao chegar às quartas de final de Roland Garros, eliminando Novak Djokovic em uma virada histórica.
Questionado sobre qual conselho daria ao jovem brasileiro, Agassi respondeu justamente dizendo que não acredita em conselhos.
“Eu aprendi, na vida, que não é bom dar conselhos. Não dê ouvidos a quem te dá conselhos. Questione, mas escolha com inteligência quem está ao seu redor”, disse, surpreendendo o público.

Posteriormente, falando sobre liderança, o ex-tenista afirmou que nenhuma trajetória de sucesso é construída sozinha e destacou a importância das pessoas que caminham ao lado de quem busca grandes resultados.
“Você precisa que as pessoas te entendam e te fortaleçam. É preciso sentir que o time está com você. É interessante. É como na área de negócios. Para que você possa ter uma equipe boa, primeiro precisa se conhecer bem, entender seus pontos fortes e fracos. Se você não entende seu ponto fraco, seu ego pode atrapalhar. O que é importante para você tem que ser importante para mim”, explicou.
Dono de uma das carreiras mais vitoriosas da história do tênis, Agassi conquistou oito títulos de Grand Slam e entrou para um seleto grupo de atletas que venceram os quatro principais torneios da modalidade: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open, além de conquistar a medalha de ouro olímpica em simples. Para ele, porém, o maior desafio nunca foi levantar troféus, mas encontrar diariamente sua melhor versão.
“Dar o seu melhor faz parte dos valores que você escolhe para a sua vida. Você sempre é medido pelas outras pessoas, mas precisa fazer as coisas dando o melhor de si. Você se dá conta de que quase nunca consegue dar 100%. Todo mundo está lidando com as mesmas coisas. Uma hora você vence a guerra. Você vai tirar 100% daquilo que está dando”, disse.
Agassi também relembrou um dos momentos mais delicados da carreira, que ocorreu em sua decisão de encerrar a trajetória profissional. Isso porque, para ele, o maior desafio não foi deixar de competir, mas entender que seu corpo já não conseguia acompanhar a vontade de continuar.
“É uma decisão que todo atleta toma. Você passa a vida sem se preparar para o resto da sua vida. Atravessa para um mundo desconhecido.O tênis levou parte da minha infância. Eu me comprometi a dar tudo o que podia. Não importa se a sua mente está preparada, porque, quando seu corpo enfraquece, ele segue seus próprios comandos. Meu corpo me falou que não dava mais para se recuperar. Eu podia jogar um ótimo tênis, mas não conseguia me recuperar. E aí já não fazia tanto sentido para mim”, relembrou.

Educação como legado
Se dentro das quadras Agassi construiu uma carreira histórica, fora delas escolheu a educação como forma de transformar vidas. O ex-tenista contou que a criação da Fundação André Agassi nasceu após conhecer de perto a realidade de crianças sem acesso a uma educação de qualidade.
“Quando vi o que elas precisavam, fiquei muito sensibilizado. Aí peguei um empréstimo de 40 milhões de dólares e construí minha própria escola. Eu queria encontrar uma maneira de ampliar essa missão. Construímos mais de 30 escolas nas áreas mais carentes dos Estados Unidos”, explicou.
Ao final do painel, ficou evidente que, décadas depois de abandonar as competições, André Agassi continua usando a experiência adquirida nas quadras para inspirar novas gerações. Seja ao falar com um dos maiores talentos do tênis brasileiro, ao refletir sobre liderança ou ao investir em educação, o ex-número 1 do mundo mostrou que sua maior vitória talvez tenha acontecido, também, longe das grandes competições.
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